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sexta-feira, 26 de março de 2010

Deputados convictos que Governo apadrinhou Magalhães

A comissão de inquérito ao computador Magalhães e à actuação da Fundação para as Comunicações Móveis (FCM) ainda vai entrar na recta final dos trabalhos, mas os partidos da oposição entendem que já há conclusões a retirar do conjunto de audições realizadas. Pela comissão já passaram o antigo ministro da tutela Mário Lino, o presidente da FCM, Mário Franco, e, no decurso desta semana, os presidentes da Vodafone e da Sonaecom (dona da Optimus), António Coimbra e Ângelo Paupério, respectivamente.
Segundo o PSD, CDS, PCP e Bloco de Esquerda (BE), as audições destes dois responsáveis indiciam que a definição das características do portátil para os alunos do primeiro ciclo coube ao Governo e não aos operadores, como foi dito várias vezes por Mário Lino. Quando elegeram o Magalhães, as empresas de telecomunicações fizeram uma "escolha totalmente condicionada pela única opção que existia no mercado" e que era o computador da JP Sá Couto, resumiu Bruno Dias, do PCP.


Pedro Filipe Soares, do BE, frisou que as definições que a FCM deu, em Setembro de 2008, aos operadores para a escolha do portátil do e-escolinhas "foram feitas à medida para encaixar no Magalhães", dizendo querer ver esclarecido se foi o Estado que pagou a apresentação pública do portátil, no final de Julho de 2008, no Pavilhão Atlântico. E apontou o secretário de Estado das Comunicações Paulo Campos como "a peça central" do processo e-escolinhas, considerando que o governante "esteve presente em todos os momentos e em todos os acordos" relacionados com o programa.

Hélder Amaral, do CDS, também questionou o facto de a JP Sá Couto anunciar na cerimónia do Pavilhão Atlântico um investimento elevado em portáteis para crianças, quando ainda não estava sequer formalizado com os operadores que seria a futura fornecedora do e-escolinhas. "Foi tudo feito depois, mas o computador já existia", disse o deputado centrista.

Também parece ser consensual para a oposição que a ideia de criar a fundação para gerir os programas de computadores partiu do Governo e não dos operadores. Hélder Amaral considera que, se ainda restam dúvidas "quanto à sua utilidade e figura jurídica", ficou evidente que "é gerida sem rigor e transparência" e que há incertezas quanto ao "dinheiro que circulou entre o Governo e a fundação e mesmo entre a fundação e operadores". Bruno Dias, que requereu o regresso de Mário Franco à comissão, considerou que "mesmo que se queira ignorar a polémica sobre se as verbas que vêm dos operadores são ou não dinheiros públicos, há despesa concreta do Orçamento do Estado [36 milhões de euros da Anacom e 178 milhões de euros da Acção Social Escolar]" que foi "encaminhada de forma muito pouco transparente para este processo".

Jorge Costa, do PSD, salientou ainda que "houve dinheiro público que serviu para pagar o Magalhães, quando o Governo andou a dizer que o programa se pagava a ele próprio" e apontou o dedo "à ligeireza" que envolveu todos os procedimentos relacionados com as e-iniciativas, "em que se entregavam computadores sem haver contratos assinados".

O social-democrata disse também querer perceber junto de Zeinal Bava, presidente da PT (dona da TMN), que vai hoje à noite à comissão, por que é que a empresa fez um investimento inicial de 11,5 milhões de euros no e-escolinhas, que compara com um milhão de euros da Zon, 250 mil euros da Vodafone e 100 mil euros da Sonaecom. Jorge Costa considera ainda que depois das conclusões finais da comissão (que deverão ser conhecidas no final de Abril) "é preciso comparar tudo o que foi dito pelo Governo" sobre a FCM e os programas de computadores.

Do lado do PS, Ramos Preto recusou "emitir juízos de valor", frisando que "enquanto a comissão não esgotar os trabalhos, não pode haver conclusões".

sábado, 26 de dezembro de 2009

Afinal temos um “Magalhães” bem mais barato!


One Laptop Per Child (OLPC)

O novo portátil do projecto One Laptop Per Child (OLPC) vai custar entre 50 e 70 euros, terá um ecrã táctil e um único botão. O teclado será virtual.


As novidades sobre o projecto iniciado em 2005 por Nicholas Negroponte têm sido divulgadas durante esta semana por vários meios de comunicação internacional e a Forbes publicou as primeiras imagens do projecto, o XO-3.

De acordo com a informação avançada, o novo modelo do computador destinado às crianças de países em vias de desenvolvimento e com poucos recursos económicos deverá começar a ser comercializado em 2012.

A FuseProject, que também já tinha sido responsável pelo desenho do hardware nos anteriores modelos, apresentou um portátil ultra fino, com ecrã de 8,5 por 11 polegadas, com uma moldura muito estreita em borracha e um único botão, destinado a ligar e desligar o aparelho. Segundo explicaram os responsáveis, citados pela revista, a Fundação One Laptop Per Child queria um computador em que o conteúdo apresentado no ecrã fosse "o principal elemento visual".

A ausência de um teclado físico e a integração de uma câmara, com capacidade para captação de fotografias e vídeo, são outras das novidades. Está também previsto que o ecrã seja fabricado em materiais plásticos, numa tentativa de aumentar a durabilidade do equipamento.

Outro dos objectivos referidos passa por produzir um computador mais fácil de utilizar e que possa ser usado pelas crianças tanto para jogos como para programas educativos, apostando também nos conteúdos alojados na "nuvem".

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